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Radiohead revolucionam comércio
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29-10-2007, 03:15
(Post modificado pela última vez: 29-10-2007 03:32 por Guess_Who.)
Post: #1
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Radiohead revolucionam comércio
Os Radiohead, assim como outras bandas que atingiram um patamar de notoriedade que lhes permite experimentar e fazer o que lhes dá na gana, resolveram voltar as costas, de vez, às editoras.
A banda británica resolveu lançar, neste mês, um albúm totalmente independente. Mas a surpresa não termina aqui, numa primeira fase, o albúm só estava disponível através de download na internet, e para obter as músicas, o comprador define o preço que está disposto a pagar. In Rainbows, foi adquirido por mais de 1,2 milhões de pessoas logo no 1º dia, e já ultrupassou o número de vendas de OK Computer, o albúm mais bem sucedido da banda de Tom Yorke. Numa primeira aproximação, apesar de muita gente ter adquirido o albúm a custo 0, ou a quantias que variam entre 1 e 10 cêntimos, a logística da banda refere que com esta iniciativa já facturaram mais dinheiro do que com qualquer um dos seus outros albúns editados até agora. Agora já existe um conjunto de Vinil e CD, com art-work e mais material que não está disponível por download, podem adquirir este pack também na página oficial pela módica quantia de 57 euros. Exagerado, talvez, mas de certeza que os fãs mais hardcore da banda não se importaram muito de dar essa quantia, pois este pack é dirigido a eles mesmo. Aqui fica o site onde podem fazer o download LEGAL do albúm. http://www.inrainbows.com/ Agora em quê que isto pode incomodar as editoras e até outras artes e actividades de lazer? O que vai acontecer, é que se esta moda pegar, vamos assistir ao fim dos intermediários, e com isso o consumidor vai deparar-se com um preço muito mais confortável. Imaginem que lançam um albúm e que fixam o preço final do mesmo, através de download, em 5cêntimos...agora multipliquem por 1.2 milhões!!! Para quem não sabe, na maioria dos contractos com discográficas, o artista não recebe nem 25% dos lucros, e da parte dos seus lucros são retirados todos os custos de difusão, edição e produção do albúm. E em alguns casos até o custo das tours, quem viu a entrevista ao líder dos !!! ou chk chk chk, entende o que estou a escrever. Por isso é que a esmagadora maioria dos músicos que fazem campanhas anti-pirataria são bandas com a sua própria editora ou com margens de lucro na ordem dos 75% do produto final. Os MetallicA são um exemplo desse primeiro grupo, quem ainda não viu o Lars a dar discursos extremamente violentos e por vezes até de mau gosto? E eu era um grande fã dos MetallicA até o lançamento do Saint Anger, daí que o facto de eu os referir, nada tem a ver com antipátia. É claro que esta nova filosofia dos Radiohead não é facilmente aplicavél a todas as vendas e comércio de dados. Por exemplo nos filmes seria muito dificil, a não ser que se tratassem de filmes independentes de baixo custo, pois a produção de um filme saí bem mais cara do que um albúm de música, especialmente para bandas com o carísma como a banda de Tom Yorke, qualquer estúdio ficaria orgulhoso em ceder as suas instalações por quantias simbólicas ou até gratuitamente a estes "monstros" da música mundial.. O mesmo se aplica aos videojogos, uma companhia de software independente precisa de vários apoios económicos, porque utilisa diversos meios tecnológicos que não estão dísponiveis em 5 lojas da rua Formosa como é o caso da música. No entanto acho que este sistema poderia funcionar em alguns tipos de jogos. E nos dias de hoje já existem companhias que contam até com meios como o Motion Capture e o Green-room no seus edifícios base. Ao disponibilizarem os seus jogos via download, já poderiam reduzir uma parte do preço final, pois já não existiam gastos de embalagem e produção do disco. E se disponibilizassem uma versão normal, ficaria ao cargo do consumidor, pagar entre 45 a 55 euros pelo disco, ou entre 25 a 35 euros por uma hipotética versão disponível em download por exemplo. Pontos negativos: Se efectivamente cairem as editoras, será mais dificil a afirmação de novas bandas, para grupos com o peso dos Radiohead isto não é obstaculo, mas uma banda desconhecida não têm a mesma projecção. Mas se houver vontade, e o devido apoio da imprensa dedicada ao tema, isto é um muro que pode ser, pelo menos, suavizado.
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29-10-2007, 11:41
Post: #2
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RE: Radiohead revolucionam comércio
Acho esta iniciativa muito interessante e um sinal de que algo está a mudar.
Mas que algo está e tem que mudar já nós sabíamos. Primeiro a pirataria mandou abaixo os lucros das editoras. Pessoalmente penso que não é só uma questão de preços como alguns falam, mas um conjunto de diversos factores. 1º Digam o que disserem, dar 15€ por um cd de música é caro especialmente para quem ouve muita música. Dou 50€ ou 60€ por um jogo mas está ali 100x mais trabalho que num cd de música (até porque muitos jogos trazem uma banda sonora original que só por si dá 3cds). 2º É chato sair de casa para comprar música quando podemos ir à net arranjá-la rapidamente. Ouço uma musica interessante posso ter o impulso de querer ouvir o álbum e não vou sair de casa a correr. Se calhar se esperar uns dias a vontade de o ouvir até me passa. A internet consegue resolver os dois problemas. A pirataria resolve-os muito bem, mas cria outro. 3º Se não pagamos pela música, os músicos não ganham dinheiro e se não recebem dinheiro, vão trabalhar noutra coisa. Então qual é a solução? Comércio electrónico Com o comércio electrónico temos toda a comodidade de ter as músicas quando as queremos. E ainda resolvemos o 1º e 3º problema, criando um equilíbrio entre o que o consumidor paga e o que o músico recebe. Isto consegue-se eliminando diversos intermediários que ficam com uma parte muito considerável do lucro e também o custo de produção do próprio suporte físico. Isto já existe há algum tempo, em lojas virtuais como o itunes por exemplo. Os Radiohead levaram isto ainda mais longe, com vendas directas do autor para o consumidor e pelo preço que o consumidor quiser dar. Mas será que isto é dificuldade para músicos mais pequenos? Eu acredito que não... Tantas bandas de garagem gravam as suas músicas (a qualidade pode ser inferior, mas isso pouco importa neste caso) mas não as divulgam por nenhuma editora olhar para elas. Se seguirem este exemplo podem ter uma rampa de lançamento e ainda ganhar algum dinheiro com isso. Mas nem tudo é bom no comércio electrónico... Existem algumas medidas que algumas lojas virtuais tomam que não me agradam nada. As músicas são normalmente vendidas num formato que perde qualidade relativamente a um CD. Pode ser incómodo para muita gente, mas se a qualidade tiver um nível mínimo eu pessoalmente nem me importo. Usam-se formados com DRM, ou seja, as músicas têm um uso muito limitado. Apenas podem ser copiadas um determinado número de vezes e apenas podem ser ouvidas em determinados dispositivos, sistemas operativos ou aplicações. Eu nunca compraria uma música com DRM, quando compro um CD posso ouvi-lo onde e como eu quiser e posso (ou deveria) passá-lo para mp3 e copia-lo para os meus dois computadores, dois leitores de mp3, cartão de memória da wii, telemóvel, auto-rádio, etc... Felizmente começam a existir companhias que vendem músicas online em formatos mp3 com uma qualidade muito razoável, é uma questão de procurar.
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29-10-2007, 22:40
Post: #3
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RE: Radiohead revolucionam comércio
Por acaso já algum tempo que andava a pensar em fazer um tópico sobre isso mas como tive alguns percalços não e fiz e felizmente alguém o fez
.Eu devo dizer que fiquei embasbacado quando ouvi, na rádio (na Antena 3 à coisa de 3 semanas) como ia ser distribuído este álbum até pensei estar a ouvir mal, ao ouvir que as propostas pelo álbum ficavam à decisão do consumidor que podiam dar dos 2 cêntimos a X de euros. Ao principio a primeira coisa que me ocorreu foi "coitadinhos deles que nem para pistachios e amendoins vão ganhar" mas pensando melhor vi que seriam bem capazes de facturar mais do que facturavam a vender álbuns a 15€. Agora é óbvio que os "Radiohead" são os "Radiohead" e os "Amendoins de Garagem" (nome de banda de garagem inventado à pressão) são uma coisa completamente diferente pois uma banda de garagem para se afirmar neste campo seria muito difícil sem uma editora pois infelizmente na nossa cultura só é bom o que todos ouvem e o que é falado em todo o lado porque bandas desconhecidas são consideradas, por muitos, desperdício de tempo a ouvi-las, mas caso viessem ao topo já todos gostavam. Como o xef disse outro problema é também o preço a que um cd de música está (aproximadamente 15€) pois eu se comprasse todos os cd's que ouço andava a pedir pelos cantos, já que possuo cerca de 30 e tal gigas quase 40 de música, pois gosto de ouvir música variada e não passar um mês a ouvir o mesmo cd (é claro que uma vez por outra compro um cd de uma certa banda mas não é costume). Estou a ver este mercado a ser muito rentável mas por enquanto só para grandes bandas porque para pequenas seria muito difícil começar assim. Quanto à industria dos videojogos por enquanto ainda não é rentável para as empresas mas daqui a algum tempo não me admiro nada de começar a haver este tipo de distribuição, especialmente para computador, pois cada vez mais está a haver a automatização das industrias e cada vez menos é necessária a intervenção do homem, por isso nesta altura arrisco-me a dizer que já nada é impossível. |
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29-10-2007, 23:43
(Post modificado pela última vez: 29-10-2007 23:48 por Guess_Who.)
Post: #4
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RE: Radiohead revolucionam comércio
Pois, lá está, mas isso já acontece agora com o mercado vigente. É muito difícil para uma banda nova chegar ao topo independentemente da sua qualidade. Enquanto isso, temos a banda dos Morangos àbrir o Rock in Rio, e a fechar actuações de Rui Veloso como se fosse este àbrir para eles!!
A maioria das pessoas só ouve o que lhes é servido de bandeja, e no caso dos mais jovens, a MTV e os Morangos é que decidem o que é bom e o que não é. Por exemplo, vejam os Black eyed peas, o talento não lhes apareceu só há cerca de 2 anos... eles já andam neste negócio há cerca de uma década e tinham músicas muito boas, e na minha opinião, mais qualidade do que agora. Mas como inseriram na banda uma miúda cheia de piercings que se descasca nos concertos, e deixaram o look de Street ultra-sombrio por uma imagem mais colorida, agora já são grandes. Não creio que seja por aí que o muro vai cair, até porque temos exemplos de bandas que cresceram, a passar músicas inseridas em albúns de bandas estabelecidas através da partilha (pirata) de ficheiros, o caso mais recente é o dos Artic Monkeys, que há pouco mais de um ano inseriam as suas músicas em albúns dos The Strokes. Mesmo os Linkin Park promoveram-se através de fóruns e canais do IRC dedicados aos Korn, tipo: "Se gostam de Korn, ouçam esta nova banda!". Quanto à ausência de uma editora, há que ser engenhoso, mas nada é impossível.
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30-10-2007, 00:38
Post: #5
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RE: Radiohead revolucionam comércio
Pois, era isso que eu estava a dizer, o grande exemplo é mesmo os Morangos porque, eu aposto que mais de metade das pessoas que cantam naquelas bandas estão a cantar pela primeira vez na vida e no entanto tudo os ouve.
Por acaso eu e o meu irmão "descobrimos" os Artic Monkeys à coisa de um ano e já nem me lembro bem como mas já algum tempo que os ouvimos, e ainda à pouco tempo o meu irmão os foi ver a Lisboa (enquanto eu fiquei em casa a roer-me de inveja ), mas há outros exemplos e até portugueses como os X Wife que á coisa de um ano andavam a tocar em discotecas e bares e só a pouco tempo lançaram um álbum, basicamente o que rege a industria hoje é ele faz/ouve/vê então eu também, e este ciclo vicioso influência tudo desde música, videojogos, filmes, etc.Mas bem isto já é assunto para outro tópico (outro ciclo vicioso mas este é bom) sorry pelo off-topic mas precisava de desabafar (só não crio um tópico hoje porque estou cheio da sono e amanhã tenho aulas )
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30-10-2007, 01:41
Post: #6
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RE: Radiohead revolucionam comércio
Uma curiosidade que vai de encontro ao que foi referido nos últimos posts deste tópico: O novo albúm dos Corvos foi adiado pela sua editora, segundo as más línguas, para esta se poder dedicar a fundo no albúm de estreia de... José Castelo Branco...
E uma coisa é certa, tenho quase a certeza que quer vendam o albúm on-line, ou na feira dos passaros, quase de certeza vai ser um exito em Portugal... Mas pronto, este tópico nem pode ser muito aplicado à realidade portuguesa, porque segundo os últimos dados aos quais tive acesso nem 20% da população portuguesa, tem contacto regular à internet. Quando assim é, a percentagem que compra seja o que for via internet, é ainda mais baixa. Assim que não é esta decisão radical dos Radiohead que vai ter grande impacto no mercado portugês.
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30-10-2007, 10:52
Post: #7
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RE: Radiohead revolucionam comércio
Eu vejo quase todas as pessoas que conheço terem medo de fazer pagamentos na net, mesmo sabendo que existe o mbnet...
O nosso mercado ainda é um caso um pouco à parte infelizmente.
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![[Imagem: 1458486356_4b141500c4_o.jpg]](http://farm2.static.flickr.com/1050/1458486356_4b141500c4_o.jpg)


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mas este é bom) sorry pelo off-topic mas precisava de desabafar (só não crio um tópico hoje porque estou cheio da sono e amanhã tenho aulas