Bem...
Um redesign da DS julgo ser pouco provável - a DS Lite já é uma melhoria considerável em relação à original. Talvez se aumentassem a memória, ou se alguns aspectos [como o browser] viessem incluídos de série, ainda podem ser credíveis.
Quando dizem "nova DS" não sei muito bem o que querem dizer.
Uma nova portátil? Quase impossível, a Nintendo atingiu uma receita praticamente perfeita com a DS [e DS Lite] e o resultado está à vista - quase 70 milhões de consolas vendidas desde Novembro de 2004, jogos que se julgavam ser impossíveis, a primeira incursão séria da Nintendo no mundo dos jogos online - afinal, quantas pessoas jogaram Phantasy Star Online na GameCube? - e a expansão do mercado a pessoas que até aí pouco pensavam em jogos de vídeo.
Vamos lá então ver como foi o percurso das portáteis da Nintendo:
Game Boy - lançado em 1989, o bloco de écran LCD que apenas funcionava em tons de verde e tinha jogos simplérrimos tornou-se no maior fenómeno alguma vez visto em consolas portáteis com mais de 70 milhões de unidades vendidas em todo o Mundo; recebeu sucessivas melhorias, como uma versão mais pequena e uma versão com écran iluminado; tinha como concorrentes as muito mais avançadas Atari Lynx e SEGA Game Gear - estas foram virtualmente enterradas, toda a gente queria o Game Boy. O GB original recebeu jogos durante mais de dez anos e foi um dos maiores casos de sucesso na indústria dos jogos.
Virtual Boy - lançado em 1995 com o objectivo de ser o sucessor do Game Boy e de levar a realidade virtual aos jogadores; foi o maior fracasso da história da Nintendo - um hardware bizarro, um catálogo de jogos curto e de baixa qualidade, interacção estranhíssima e que provocava mal-estar físico aos jogadores, não era uma verdadeira consola portátil e os jogos apenas funcionavam à base de vermelho e preto - vendeu cerca de 500 000 unidades e foi retirado do mercado meses depois.
Game Boy Color - lançado em 1998, pegou na fórmula de sucesso do GB original e acrescentou-lhe cores; mais um caso de sucesso com cerca de 50 milhões de unidades vendidas em aproximadamente seis anos - serviu como máquina de transição para o que estaria a chegar em breve. Teve direito a acessórios como uma câmara fotográfica digital, uma impressora e no Japão dispôs de uma ligação a telemóveis.
Game Boy Advance - lançado em 2001, foi um enorme salto da marca Game Boy; em vez de uma máquina simples, o GBA é uma consola de 32-bits, com uma capacidade gráfica impressionante [que supera largamente a capacidade gráfica das consolas Mega Drive e SNES] e que iria vender mais de 82 milhões em todo o Mundo durante os próximos sete anos; não só recebeu uma avalanche de jogos originais, como também se revelou a plataforma de eleição para remakes e reedições de jogos de 8 e 16-bits - exemplos disso são os Final Fantasy, os Super Mario Advance e a NES Classic Series que levaram muitos jogadores de "velha guarda" a interessarem-se por esta portátil. Teve também direito a jogos originais de várias séries da Nintendo como F-Zero, Fire Emblem, Metroid, Mario Kart [apesar de não ter recebido nenhum Super Mario original] bem como jogos de 3rd parties como Mega Man e Sonic. Teve direito a três revisões de hardware: à original [que não tinha écran iluminado] sucedeu o SP em 2003[o mais equilibrado e que dispensou as pilhas para usar uma bateria] e a este sucedeu o Micro em 2005, de tamanho verdadeiramente minúsculo [embora sem retrocompatibilidade com os jogos do GB original e do GB Color] - note-se que o GBA original foi lançado em várias cores, o SP e o Micro, além de cores, tiveram direito a vários temas para o seu aspecto exterior, o que os tornou muito atractivos.
O que é de certa forma engraçado, é que a DS quando foi apresentada em 2004 não pretendia ser a sucessora do GBA - a Nintendo queria que a DS e o GBA convivessem lado a lado, uma vez que têm conceitos bastante diferentes e construir o sucesso da DS e trazer o fim do GBA tão depressa não era de forma alguma o plano da Nintendo, a marca pretendia ter duas "frentes" no mercado das portáteis.
No entanto, a DS foi tão bem recebida pelo público e pelas editoras que rapidamente o GBA começou a perder terreno - embora ainda tivesse marcado uma forte presença durante os próximos dois anos - o que acelerou a retirada do último Game Boy do mercado. Em 2006, a Nintendo America anunciou que aquele ano seria o último ano "grande" do GBA em termos de jogos e assim foi, 2007 teve muito menos lançamentos e embora a consola ainda tenha vendido bem durante esse ano - nos EUA chegou a vender mais que a PS3 durante alguns meses - o sucesso imparável da DS levou a que a Nintendo resolvesse encurtar a vida do GBA, uma vez que manter duas portáteis diferentes poderia enviar um sinal errado ao público, às produtoras e às editoras.
Isto tudo para dizer o quê? Que eu não acredito que a Nintendo vá apresentar uma nova portátil - pode apresentar uma revisão física da DS, mas uma nova consola acho quase impossível. Isso só deverá acontecer em 2009 ou 2010, e mesmo assim, a DS ainda terá bastante vida de sobra.
Claro que posso estar enganado.
